sábado, 5 de dezembro de 2015

O primeiro Impeachment a gente nunca esquece



      Ainda me lembro do meu primeiro impeachment. Eu tinha sete anos, saí de casa e vi uma enxurrada de papel picado cobrindo a ladeira em frente á minha casa. Saí correndo, fazendo festa. Pegava montes de papel, jogava para cima e olhava tudo cair. Corria por entre a papelada, arrastando os pés e fazendo rastros por entre a sujeira. Comemorava sem nem saber bem o que era, parecia até final de copa do mundo. Para mim o impeachment era aquilo, uma ladeira cheia de papel picado onde a gente podia se divertir e brincar. E agora, décadas depois, a guerra no congresso está declarada e mais uma presidente sofre a ameaça de ser deposta.
Naquela época, em minha ingenuidade infantil, poderia acreditar que mudando um presidente mudaríamos o país. Mas hoje em dia é difícil conceber como as pessoas ainda possam acreditar que a culpa é de um partido ou de uma pessoa. Não adianta mudar os protagonistas se o que está falido é todo o sistema politico e a estrutura moral da nação.
O Brasil volta a mostrar sua maneira truculenta de reagir com a insatisfação popular na crise da educação em São Paulo. As imagens dos estudantes protestando e apanhando da policia parecem as mesmas vistas durantes os confrontos na época da ditadura. Um passado que parecia superado.
Se o impeachment de Collor serviu para fortalecer a democracia. Derrubar a Dilma e o governo do PT, fora das eleições, parece mais uma manobra politica engendrada por interesses de opositores insatisfeitos com o governo do que uma ação popular. Para o país, a falta de governabilidade de um presidente prejudica os interesses de todos, dificulta a resolução da crise e a adoção de medidas que enfrentem os problemas econômicos. Sem falar na desmoralização que o país sofre diante da comunidade internacional.
Parafraseando Leandro Karnal em Hamlet de Shakespeare e o mundo como palco: https://www.youtube.com/watch?v=XBjkxRgLdAI. Eu seria muito feliz se conseguisse acreditar que a queda de uma presidente, ou de um partido resolvessem os problemas do país. Mas como o Natal se aproximando é mais fácil voltar a acreditar no Papai Noel do que achar que o impeachment é a solução para os problemas do Brasil.


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