“EU SOU LEX LUTHOR”: Alex Karp,
CEO da Palantir, arranca o véu do Vale do Silício e expõe a ideologia tecnofacista
das Big Techs
A Palantir lançou um manifesto com
22 itens, que poderia muito bem ser o discurso de um supervilão dos quadrinhos.
Se Alex Karp tivesse subido em um palco e arrancado uma máscara do rosto e dito
“Eu sou Lex Luthor”, tudo faria mais sentido do que parece. A proposta de
abandono da ética em nome da segurança e da defesa do modo de vida americana é
um escárnio. A propagação de uma ideia de superioridade cultural e o uso da
tecnologia para matar pessoas indesejadas são revoltantes. Tudo parece servir
ao propósito de uma inteligência maléfica que se vende como a única alternativa
possível. Talvez os nazistas também dissessem ser inevitável a sua passagem
pelo mundo, alegando que eram uma força que precisava assumir controle em nome
da segurança. Porém, Hitler e seus exércitos foram destruídos, assim como
tantos outros que se consideraram invencíveis.
A arrogância que a Palantir
propõe através de seus representantes torna imprescindível uma reação contrária
à naturalização da força e do controle como única alternativa para a política
futura. Ela não só é uma imposição ideológica, mas a descrença e a ausência de
esperança na capacidade de organização autônoma das pessoas. Naturalizar a
opressão é o desejo de todo opressor, não dando à vítima a alternativa de
vislumbrar algo fora daquele contexto. E há rotas de fuga, ou refúgios
inexplorados através da criatividade humana, que são contrários a essa fusão
inevitável entre empresa de tecnologia e governo estatal, algo que tentam nos
empurrar goela abaixo sob a alegação fajuta da necessidade de combater guerras
fabricadas que justifiquem a renúncia das liberdades sociais constituídas ao
longo do século XX.
Se o futuro é sombrio, talvez. Mas só se nós deixarmos de nos iluminar com as luzes da razão e nos privarmos de pensar em alternativas melhores à dominação opressiva da tecnologia, que controla o Estado e usurpa a soberania popular reescrevendo as cartas constitucionais. Assim, a tecnocracia fascista é um destino inevitável somente àqueles que não pensarem em uma alternativa humanista.

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