Quem é o cidadão de bem?
Não podemos esquecer que os “cidadãos
de bem” da Roma Antiga apreciavam ver os cristãos sendo massacrados na arena do
Coliseu. Não podem esquecer que os “cidadãos de bem” da cristandade, na época da
Inquisição, se deleitavam assistindo aos hereges sendo queimados na fogueira. Não
podemos esquecer que os “cidadãos de bem” da Alemanha aceitaram o nazismo.
O bem do “cidadão de bem” não define o que ele é, mas o que pretende ou gostaria de ser. O cidadão que se considera “de bem” o faz em oposição ao bandido, ao criminoso ao que considera indigno de viver. O “cidadão de bem” se define pela negação da bondade e pela negação da humanidade do outro. Mas então, que “bem” é esse, se ele defende a morte do outro?
O cidadão de bem é um dispositivo de exclusão social.

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